APJ
03/06/16 07:01 - Bauru

Mãe e filha se reencontram após matéria do JC

Patrícia, residente em Goiás, ficou quase quatro décadas sem notícias da genitora e só descobriu Belinha em Bauru ao vê-la em reportagem

Thiago Navarro
Samantha Ciuffa
Após 39 anos, Belinha falou com a filha Patrícia por telefone pela primeira vez
Filha pegou foto de quase quatro décadas atrás e comparou com imagem do jornal

Quando foi personagem de uma matéria do Jornal da Cidade no último dia 29 de abril, Maria Izabel da Silva, a Belinha, jamais imaginaria que isso a ajudaria a reencontrar uma filha com quem não tem contato há quase quatro décadas. Quando se separou da criança, Belinha ainda residia em Aragarças, no Estado de Goiás (mais de 900 quilômetros de Bauru). Depois, ela morou em Guarulhos e, em seguida, veio para a Cidade Sem Limites, onde criou os outros cinco filhos. Mas ela nunca mais teve notícias da sua primogênita. Até esta semana.

Belinha foi entrevistada pelo repórter Marcus Liborio, do JC, por conta de sua paixão pela música sertaneja e pelo cantor Eduardo Costa, que fez show em Bauru no dia 30 de abril. A matéria, reproduzida também no portal JCNET, acabou se espalhando por fã-clubes do cantor. Filha de Belinha, Patrícia Soares, que mora em Aragarças, já buscava há algum tempo informações da mãe biológica, com quem teve o último contato apenas aos três meses de vida.

Como foi

Pouco tempo atrás, Patrícia conseguiu falar com um irmão de Belinha, Izídio, que também reside na cidade goiana, mas com pouco contato com a irmã. Porém, no final de semana passado, ele viu a matéria do JCNET e avisou a sobrinha.

Com isso, Patrícia entrou em contato com a Redação do JC, na última quarta-feira (1), pedindo ajuda para saber onde estava a mãe biológica que ela tanto procurava. Tanto Patrícia quanto Belinha compararam fotos de 39 anos atrás e perceberam a semelhança na fisionomia, o que deu ainda mais certeza às duas.

“Eu consegui uma foto dela há uns seis meses, e estava procurando informações. Minha mãe adotiva já faleceu, mas meus tios adotivos confirmaram que a pessoa na foto era minha mãe biológica. Aí quando saiu a matéria, foi a primeira vez que vi uma foto dela de agora”, explica Patrícia.

Na quarta-feira à tarde, Belinha e Patrícia se falaram pela primeira vez, por telefone, em ligação que durou 17 minutos de pura emoção e alegria. “Quando ela disse ‘mãe’, eu já tive certeza que era minha filha. Estou muito emocionada. Achei que nunca mais ia saber onde ela estava”, conta Belinha, que tem 60 anos de idade e está em tratamento contra um câncer no útero.

Ansiedade

Agora, a vontade das duas é de se reencontrarem pessoalmente, o que pode ocorrer em breve. “Quero ir para Bauru o quanto antes. Fiquei muito feliz de saber da minha mãe biológica”, disse Patrícia ao JC, por telefone. Aos 39 anos, ela é casada e tem três filhos já adolescentes.

A intenção é vir com o marido e os filhos também, para que todos conheçam sua família “de sangue”. Belinha tem outros cinco filhos (Wellington, Nelson, Vinícius, Natali e Marisa), todos residindo em Bauru, e que estão ansiosos para conhecer a irmã mais velha. São ainda 14 netos e um bisneto.

Com a ajuda da filha Natali, Belinha viu fotos de Patrícia pelo celular. “Como uma matéria aqui em Bauru pode ter ido parar lá em Goiás? Foi muito bom, graças a isso agora sei onde a minha filha está, que ela tem três filhos. Aliás, agora sei que tenho outros três netos lindos (risos). Na época, aconteceram várias situações que me impediram de ficar com ela, foi muito triste, ela acabou sendo adotada. Eu nem sabia se ela ainda estava viva, se morava em Goiás e, agora, descobrimos que está inclusive na mesma cidade, Estou muito feliz”, afirma Belinha.

‘Desencontro’

Uma situação curiosa é que, em 2011, Belinha chegou a morar por seis meses novamente em Aragarças, mas sequer imaginou que a filha estava por lá. “Não tinha a menor ideia de que ela estava morando na mesma cidade. Como são as coisas, não é? Fiquei seis meses lá e não a reencontrei. Agora, mesmo estando longe, conseguimos ter contato”, diz, emocionada. “Acabei voltando para Bauru porque não me adaptei lá de novo. Já estava há tanto tempo em Bauru, criei minha família aqui, todos meus filhos moram aqui também, me considero bauruense. Tive que voltar”, resume.

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