APJ
05/04/16 13:26 - Franca

Francanos se revoltam com demora no atendimento dos PSs e da UPA

Pais e crianças aguardavam atendimento no Pronto-socorro Infantil na manhã de ontem: filas e demora têm sido constantes

Lydia Rodrigues

 Filas, lotação, falta de médico e descaso no atendimento. Mais uma vez, os Prontos-socorros Adulto e Infantil e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Aeroporto voltaram a ser alvos de reclamações dos usuários.

Quem depende dos serviços municipais de Saúde tem se queixado de enfrentar uma situação caótica e até de ser mandado embora para casa sem receber cuidados médicos. A situação vem se repetindo nas últimas semanas, agravada pelo medo da dengue, zica e H1N1.

No Pronto-socorro Infanti, desde o final da semana passada, pais e crianças têm enfrentado esperas de até 3 horas, em alguns momentos em situação precária: pacientes vomitando no chão, calor e lotação. “Eles me avisaram que tem 81 crianças na frente do meu filho para serem atendidas. Todo dia está assim”, disse a auxiliar de produção Rosalina Furlan, 37.

O risco de contágio também preocupa. “A gente fica até com medo de ficar com a criança lá dentro (do PS) e ela pegar outra doença. Ontem vim e fui embora de tanto que demorou, agora estou há 3 horas aqui”, disse a vendedora Vanessa Silva Santos, 19, que estava com dois filhos, um de 7 meses e outro de 4 anos, à espera de atendimento ontem.

No PS “Álvaro Azzuz”, a situação se repete. Cerca de 50 pessoas aguardavam para fazer a ficha de atendimento na manhã de ontem. A lentidão para conseguir esse procedimento inicial se explicava pela falta de funcionários no guichê da recepção; apesar das quatro cabines, havia só uma pessoa para atender os pacientes. “Estou com uma dor forte na coluna, está bem difícil para ficar em pé e já estou esperando faz 20 minutos”, disse a doméstica Marilza da Silva Vaz, 53.

As suspeitas de doenças graves como a gripe suína (H1N1) elevam a preocupação da população. “A gente paga imposto e tem um atendimento horrível. Estou com gripe e dor no peito e essa demora faz a gente ficar  mais doente”, disse o pespontador aposentado Agnaldo Leal de Souza, 65. Outra reclamação era sobre a qualidade das consultas, em que não são feitos diagnósticos precisos. “Os médicos só sabem dar dipirona, aí temos que voltar no outro dia porque não melhora”, disse a dona de casa Célia Maria Soares, 54.

A UPA do Aeroporto é outro foco de reclamação. De acordo com os pacientes, faltam médicos e enfermeiros no local. Uma paciente relatou que, na madrugada de sábado, foi dispensada sem atendimento. “A atendente disse para eu voltar pela manhã porque não tinha médico naquela hora.  Um abusrdo!” disse a entregadora Hebe Monteiro, 32. A mulher pretende procurar a ouvidoria para denunciar o mau atendimento na UPA.

A dona de casa Viviane Roberta França também estava revoltada, reclamando de descaso no atendimento de seu irmão. Visivelmente abatido, o homem estava encostado em uma janela do lado de foram da UPA. “Ele  vomitou com sangue e ninguém interna ele, faz quatro dias que estou andando com ele, já fui em UBS, no Azzuz e agora vim na UPA”, reclamou.

Prefeitura se cala
Procurada pela reportagem, a Prefeitura não se manifestou a respeito dos problemas na Saúde Municipal. Na semana passada, a assessoria de imprensa da Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde foram acionadas por causa do mesmo tipo de problema, mas também não houve retorno.

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