APJ
21/08/14 07:29 - Limeira

Sal mata mais de 1,6 milhão no mundo

O consumo de altos níveis de cloreto de sódio aumenta a pressão arterial

Paula Martins

O excesso de sal mata mais de 1,6 milhão de pessoas por ano no mundo. É o que mostra um trabalho do Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade Tufts, alertando que, em média, é consumido quase o dobro do recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Segundo o estudo, há evidências de que o consumo de altos níveis de cloreto de sódio aumenta a pressão arterial, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

O médico cardiologista Alexandre Thiago Rachid Mazer lembra que o sal é uma substância utilizada para dar sabor ao alimentos e é interessante o seu uso, principalmente pelo fato de obrigatoriamente conter iodo em sua industrialização. Entretanto ele faz um alerta: o excesso de sal pode ser prejudicial para o organismo e aumentar a incidência de hipertensão arterial sistêmica. "Isso significa aumento do edema de membros inferiores (inchaço nas pernas), neoplasia gástrica (câncer de estômago), nefrolitíase (pedras no rim), osteoporose, descompensação da insuficiência cardíaca (piora dos sintomas como falta de ar e inchaço, quando o músculo cardíaco está enfraquecido)", exemplifica.

De acordo com Mazer, no Brasil as pessoas consomem em média entre 13 gramas a 18 gramas de sal por dia. A quantidade preconizada pela OMS é de cinco gramas de sal por dia. "Portanto, ingerimos de três a quase cinco vezes a quantidade necessária de consumo diário", comenta.

O médico afirma que produtos industrializados têm geralmente excesso de sal. Segundo ele, os maiores vilões são: shoyos, macarrão instantâneo (o próprio macarrão e o tempero), temperos prontos, alimentos congelados (o sal atua como conservante) e refrigerantes (sendo que os diets têm duas vezes mais se comparado ao comum, que já tem sódio em excesso). "Levando-se em conta que os alimentos podem conter duas gramas de sal em sua composição, deveríamos utilizar em nossa dieta três colheres rasas de café de sal. Cada colher equivale a uma grama de sal/dia. Isso cozinhando os alimentos sem colocar sal e salgando-os apenas após o término do preparo", acredita.

CURSO
Em Limeira, o Sesi oferece o curso de culinária "Sabor na Medida Certa". A iniciativa é dividida em quatro programas: para hipertensão, obesidade, colesterol e diabetes.

De acordo com a professora de educação alimentar do Sesi, Isa Rodrigues, são quatro aulas gratuitas que ensinam receitas que não usam sal, ou então a sua substituição. "Orientamos onde está o sal nos alimentos, a quantidade de sal necessária para cada receita, entre outras dicas. Geralmente, as pessoas usam o sal três vezes a mais que o permitido. Porque embutimos mais temperos nas comidas que contém sal também", fala.

Segundo ela, o recomendado é que se consuma cinco gramas de sal por dia. "Exemplo, meio gomo de linguiça tem 0,5 gramas de sal. Um filãozinho tem um grama e por aí vai. Então precisamos sim estar atentos na quantidade de sal que usamos diariamente", observa.

Isa revela ainda que, 70% das pessoas que resolvem fazer o curso já estão doentes ou tem alguém na família com problemas como hipertensão. "É muito raro quem venham aprender por prevenção", diz.

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