APJ
23/08/14 11:34 - São José do Rio Preto

Estiagem seca vertedouro e castiga peixes

Elton Rodrigues

Com vertedouro da seco, o que resta é uma lagoa com apenas um palmo de profundidade; no detalhe, peixes em agonia

Peixes agonizando em uma pequena lagoa com apenas um metro de profundidade. Esse é o retrato da seca que assola Rio Preto. O pouco de água avistado ontem no vertedouro da Represa Municipal, praticamente seco, se acumulava entre a parede da barragem (no lago 1) e o rio Preto, no início da avenida Philadelpho Gouveia Neto. O nível é tão baixo que os peixes não conseguem descer o rio.

Os três lagos da Represa abrigam pelo menos 33 espécies de peixes, como traíra, tuvira, cascudo e taguara. Os mais comuns são tilápia e lambari. Exemplares dessas duas espécies foram as que mais ficaram presos próximo ao vertedouro. As tilápias foram as mais castigadas por, normalmente, viver em profundidades maiores. No caso dos lambaris, dezenas se aglomeraram embaixo da única queda d’água ( com cerca de dois metros de largura) que liga o lago 1 ao rio Preto. Essas quedas d’água oxigenam a água, por isso são muito procuradas pelos cardumes.

Essa é a segunda vez no ano que o vertedouro da Represa Municipal seca, de acordo o Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae). A primeira vez foi em fevereiro. Naquele mês também foi registrada a morte de pelo menos 2 mil peixes no rio Preto, na altura da avenida Philadelpho. A mortandade teria sido provocada pelo baixo nível da represa e pela falta de oxigênio na água.

Atualmente, os peixes presos no vertedouro estão ameaçados porque a única queda d’água no local corre o risco de secar. Ao longo do rio Preto a situação também é crítica. Em alguns trechos, ao longo do canal que divide a avenida Philadelpho, nem os lambaris conseguem passar e seguir o curso.

Reprodução ameaçada

De acordo com o biólogo Arif Cais, a situação é preocupante. “Essa seca é a pior dos últimos tempos. A pouca água nos rios diminui a reprodução dos peixes, as espécies migratórias não encontram fluxo grande para se reproduzir. No município, isso é um agravante porque não temos um poder público atuante, principalmente a Secretaria de Meio Ambiente.”

A reportagem procurou o secretário de Meio Ambiente, Clinger Gagliardi, na tarde de ontem, porém ele não foi encontrado e não retornou às ligações até o fechamento desta edição para falar sobre a estiagem. Já o Semae informou que sua única função é a de fornecer água e que o “abastecimento está garantido”.

O capitão da Polícia Ambiental Alessandro Daleck afirmou que vai até o vertedouro hoje para verificar a situação e, se for necessário, pedir a remoção dos peixes para outro ponto do rio. “Não podemos deixar esses peixes agonizando. Isso tem de ser resolvido e temos de fazer um planejamento a longo prazo para que esses peixes não fiquem mais presos”, afirmou.

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