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19/09/16 13:31 - São José dos Campos

Região ganha 25 moradores por km² em 16 anos

No início do milênio, a região tinha uma densidade demográfica de 123,1 habitantes por km². Em 2016, a quantidade saltou para 148,48 moradores por km²

Xandu Alves

Dados do Ipea e Fundação Seade revelam aumento na densidade demográfica do Vale do Paraíba entre os anos de 2000 e 2016, com esse índice passando de 123,1 para 148,48 habitantes por quilômetro quadrado

A Região Metropolitana do Vale do Paraíba ganhou 25 habitantes por quilômetro quadrado em 16 anos, de acordo com dados de pesquisas do Seade e do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

No início do milênio, a região tinha uma densidade demográfica de 123,1 habitantes por quilômetro quadrado. Em 2016, a quantidade saltou para 148,48 moradores por km². Para se ter ideia, 25 habitantes por km² é uma densidade superior a de 12 cidades da região, entre elas Paraibuna, Monteiro Lobato e São Luís do Paraitinga.

Entre os municípios da RMVale com os maiores índices demográficos, 12 cidades têm densidade superior à media estadual, que é de 174,68 habitantes por quilômetro quadrado, também segundo levantamento da Fundação Seade.

Cidades. São José, Jacareí e Taubaté lideram a lista com mais do que o dobro do indicador do Estado, respectivamente 618,52, 477,42 e 474,32 moradores por km².
A densidade demográfica de São José é 3,54 vezes maior do que a média estadual. A de Jacareí e Taubaté, 2,73 e 2,72 vezes.

Com apenas 20 mil habitantes, Potim é a quarta cidade da região mais adensada (453,59 habitante por km²), densidade 2,6 vezes maior do que a média estadual.

Urbanização. A população somada destas 12 cidades mais adensadas no Vale é de 1,9 milhão, quase 80% do total da região, de 2,4 milhões. No entanto, o território ocupado por elas (5.248,95 km²) representa 32,42% do total da região, que tem área de 16.192,67 km2.

Esse indicador mostra que a região está cada vez mais urbanizada, o que traz desafios para os próximos prefeitos.

Problemas. O adensamento populacional desequilibrado, segundo o arquiteto e urbanista Flávio Mourão, traz problemas para as cidades, como de ocupação desordenada, meio ambiente, saneamento e, em tempos de crise, oferta de emprego e moradia. “Esse é um dos grandes desafios do planejamento urbano”, afirmou o especialista.

Vale tem 23 cidades com baixas taxas de densidade demográfica

A RMVale tem 23 cidades com densidade demográfica abaixo de 100, valor considerado baixo para os padrões de planejamento urbano. A lista começa com Ilhabela, com 90,67 habitantes por quilômetro quadrado.

Os cinco municípios da região com a menor densidade são Monteiro Lobato (13,01 habitante por km²), Redenção da Serra (12,43), Areias (12,36), Natividade da Serra (8,02) e São José do Barreiro (7,13).

Moradores. A população dessas 23 cidades é de 222.129 habitantes, o que representa 9,24% do total da região, de 2,4 milhões de moradores.

Para especialistas, junto à queda da natalidade, a pouca densidade pode levar os municípios a se tornarem cada vez menores, desafiando até a independência política. “Pode ocorrer de, no futuro, algumas dessas cidades terem que se fundir para não desaparecer por completo. Elas vão perder cada vez mais população”, disse o urbanista Ricardo Souza.

Crescimento impõe novos problemas para o poder público: trânsito é um desses ‘gargalos’

As pesquisas de aumento da população devem inspirar o desenvolvimento de projetos nas cidades mais adensadas da RMVale, como São José. O secretário de Planejamento Urbano da cidade, Pedro Ribeiro Moreira Neto, defende que os dados de densidade demográfica sejam usados para aprimorar os planos urbanos e evitar adensamento desigual.

Mas o número tem que ser estudado com profundidade pelas prefeituras, ressaltou Moreira Neto, apontando a densidade de cada bairro, cada região e localidade dentro do território. É preciso fugir da visão simplista que por muitos anos dominou a área de planejamento urbano e planejar o crescimento das cidades para as próximas décadas.
“Não se pode mais pensar, em termos de planejamento, apenas no aqui e agora. É preciso resolver os problemas atuais com uma visão de futuro”, disse o secretário.
Em São José, que tem a maior densidade da região, com 618,52 habitantes por km², Moreira Neto diz que há lugares que até superam a média da cidade, e outros que estão muito abaixo.

A localidade mais adensada, segundo ele, é a região central da Vila Industrial, na zona leste. “Há muitos apartamentos com muitas pessoas morando neles, diferente do Aquarius, por exemplo, que todo mundo pensa que é mais adensado.”

Moreira Neto afirmou que o planejamento busca equilibrar o adensamento em São José descentralizando o acesso a serviços, por meio da criação de “novas centralidades” nos bairros, regiões com potencial de agregar empregos, serviços, comércio e moradias.

Veículos. Um dos grandes dilemas é o aumento de veículos. A população na RMVale cresceu 11,42% em 10 anos, de 2,1 milhões para 2,4 milhões, entre 2006 e 2016, mas a frota aumentou 89%: de 702 mil para 1,3 milhão.

Para o arquiteto e urbanista Flávio Mourão, os municípios do Vale não têm estrutura para acompanhar esse crescimento. “A nossa malha viária em geral é precária. O trânsito e os congestionamentos são os reflexos da falta de planejamento urbano”.

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